sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Desejo a todos vós, que de alguma forma me têm acompanhado...
        

Um 
FELIZ & SANTO NATAL :-))


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conto de Natal


Sol de Inverno. Reflectia, todo o seu esplendor, na água calma da piscina.
Aproveitou aqueles raios de Sol e deitou-se na espreguiçadeira. E sem esforço, adormeceu…
Mal fechou os olhos, começaram a cair pequenos flocos de neve. Película fina de gelo cobria agora, água da piscina. Os verdes e castanhos da Natureza envolventes começaram a ficar brancos. Vento gélido, como se mandado do Pólo Norte, soprava seu rosto, fazendo-a acordar estupefacta, empurrando-a para dentro de casa. Vestiu algo mais confortável, dirigindo-se depois à cozinha para beber algo quente.
Entretanto, sua família, enfeitava a casa. Decorava o pinheiro de natal, fazia o presépio. Vendo-os naquela azáfama, quis ajudar, não tendo conseguido. Algo a prendia, impedindo-a de se movimentar. Viu o mais pequeno subir ao colo do pai para colocar a estrela que guia Reis Magos à manjedoura, no cimo do pinheiro. A alegria era contagiante. Nunca tinha percebido o quanto podia ser belo o sorriso de uma criança. No fim, quando toda a casa ficou enfeitada, acendeu a lareira. Aconchegou-se no sofá, ouvindo o estalar da lenha, absorvendo o calor e olhando para as cores quentes do lume, voltou a adormecer…
E mal adormeceu, acordou. O Sol, mais fraco, ainda espreitava, tinha sonhado. E do sonho despertou-lhe sentimento de ser mãe, constituir família. Poder ensinar, transmitir a seus filhos o que seus pais lhe haviam ensinado e que naquele momento lhe suscitou a memória – o verdadeiro espírito de natal – a família. Flocos de neve, derretidos pela alegria, pelo calor familiar. Tinha despertado, do cansaço da solidão, do frio que podia ser a vida e começou a escrever a carta, como seus pais lhe ensinaram e como em criança fazia…
“Querido Pai Natal…”
Continuou, sem se aperceber, por instantes, que dia era aquele…
“Este ano desejo…”
E um flash fez-lhe pensar, Porque estaria (naquele dia) em casa!?
Olhou calendário – 25 de Dezembro - era dia de Natal. O Pai Natal já tinha passado no seu trenó, conduzido na dianteira pela Rena Rodolfo. Era tarde demais – esmoreceu, sorrindo de seguida. Percebeu que o menino Jesus não se tinha esquecido dela, que tinha sido presenteada com aquele sonho – com o despertar para a vida, combatendo a solidão, desejo do calor, do aconchego e da alegria que uma família podia dar.
E acabou de escrever a carta…
“Obrigado Pai Natal, por teres passado por aqui esta noite.”
“Feliz Natal”

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O amparo de um Anjo


No alto do cume,
Ergo minhas asas.
Solto-as ao vento
Que abraça minha alma,
Desejo de estar mais perto…
Porque não vôo!?
Porque não chego junto a Ti,
Não toco Tuas mãos,
Não ouço Tua voz!?...
As perguntas que faço
E não respondes,
Respondes
Não consigo escutar.
Estou aqui!...
No cume mais alto
Para escutar.
Para ver Teu rosto
Que tanta vez afaguei,
Na ânsia de Teu abraço.
Vim aqui…
Para saltar,
Ir a Teu encontro,
Pedir-Te explicações…
Deus meu…
Vejo Teu rosto...
Sinto Tua presença,
Em Anjo que enviaste,
Na alma que abraça meu Ser
E limpa minhas lágrimas…
No Anjo que me faz planar
No desfiladeiro,
Aterrar no macio da bondade.
Obrigado, meu Deus…
Pelo Anjo,
Que me faz ouvir tuas palavras
E que Contigo,
Me faz sentir…
Que é bom viver.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Leito de Vida


Faleceu naquele dia. Estendido, inerte no leito que o viu nascer. Ali aprendeu a rezar, a orar a seu Deus e nunca mais esqueceu. Fazia-o todas as noites, todas as manhãs. Naquela manhã não o fez. Abertas as portas, foi recebido de braços abertos. Passou a orar directamente com quem sempre o tinha escutado, com quem sempre desabafou. Sua presença nas horas difíceis, sua alegria todos os dias.

Faleceu naquele dia. No leito, onde aprendeu a sonhar. Onde príncipe em cavalo alado conquistava princesa e defendia-a de dragões, monstros, vilões. Onde pilotava carros de corrida e subia ao lugar mais alto do pódio. Onde marcava golos que outros falhavam, dando vitórias à sua equipa e tornando-se no melhor marcador. E era tão simples. Bastava fechar os olhos.

Faleceu naquele dia. No leito onde fez amor pela primeira vez e onde só deitara uma mulher – a sua mulher. Soube o que era o amor, a paixão. Ali fez os filhos que hoje choram a seus pés. E que trazem os netos que vêem seu avô dormir profundamente. E à noite o vão ver, todas as noites irão olhar para o céu e ver duas estrelas brilhar – avô e avó estarão juntos outra vez.

Faleceu naquele dia. No leito onde tudo projectou, menos sua morte, sua partida. A empresa que criou, os telefonemas que recebeu a altas horas, os papeis que lia, textos que escrevia. As obras que fez em casa, que já tinha sido de seus pais. As plantas que plantara no quintal, que cresceram e hoje secaram. As viagens de trabalho, lazer e férias. A última escapou, não fora planeada.

Faleceu naquele dia. No leito onde aprendeu o significado de todos os sentimentos. Onde sorria e chorava, dissertava e cantava… Onde vira sua mulher partir, sem se despedir, sem o deixar ir com ela. Num dia em que o céu não viu o Sol brilhar e as trevas vieram para ficar. 

Faleceu naquele dia, no leito de sua vida, sozinho, solitário, sem a presença que o fazia respirar, alimentar seu fado. Coração destroçado, mil porquês sem resposta, perguntas sem destinatário.

Faleceu naquele dia, no leito confessionário de uma vida, onde falava e discutia com seu Deus. E com seu Deus partira calmamente, sossegado, em Paz, sem medo. 

Faleceu naquele dia… E naquele mesmo dia, nasceu novamente, nos braços de uma mãe carinhosa, afectuosa, mimando sua cria, no leito de nova Vida.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Douro Internacional

Navego, flutuo
Maravilhado neste vale
Aberto, esculpido
Por Deuses,
Para ti.
No silêncio de tuas águas
Na imponência de meu ser
Beijo tuas margens
Abraço tua vida
Num momento de prazer.
Douro, qu`és d`ouro
Quantas cores tens tu?
Verdes, castanhos,
Amarelos, rosados
Natureza radiante
Espelhada em ti.
Orgia colorida,
Tela pintada,
Por Mestre sobre-humano
Reflectida em tuas águas
Galeria de paisagens
Divinal sem igual.

Comboio que passa
A teus pés para te ver
Acaricia teu corpo
Sente tua corrente,
Entra nas entranhas
Portal do paraíso,


Socalcos vinhateiros
Presépio aconchegante
Acompanha tua descida
A caminho do Atlântico.
Neste lugar de sonho,
Paz e sossego
Onde tudo e nada passa,
Passa minha paixão
E paixão de meu coração,
Juntos nesta viagem
De mil belezas, encantos.
Douro Internacional
Diamante ancestral
Polido pelo Homem
Amado por mim.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Espirito de Natal v Consumismo Natalicio

Estamos em Outubro. Fins de Outubro. Para mim, é normal começar a pensar já no Natal, devido à “construção” do presépio. Há que projectar e arranjar material necessário para a sua feitura. Ao contrário de outros anos, neste, não estou só… pela pior razão.
Este ano, quem trabalha, não vai receber por inteiro o subsídio de Natal. E para os próximos dois anos, os funcionários públicos, nem sequer vão ver um tostão. Como é óbvio, não me congratulo com tal medida, mas não vou entrar no campo político.

Como disse atrás, este ano, tenho a companhia de um país a pensar já no Natal. Mas o que leio, o que ouço entristece minha alma. Vários foram os textos, comentários que me fizeram escrever este post. É triste ouvir dizer “Este ano, não há Natal”.
O que é o Natal!? Está visto que para muitos, Natal, é o corre-corre na baixa de sua cidade, os encontrões nos centros comerciais, as prendas para todos e mais alguns, até se gastar o último cêntimo do subsídio de Natal, ordenado e atingir o limite máximo de crédito do cartão. É um Natal de consumo, de despesismo puro e duro.
Nem sequer vou entrar no campo da religião. Cada um tem a sua, mas como povo de educação cristã, que somos, até fica mal pensarmos assim. Contudo, não é coisa que me surpreenda, visto, a sociedade de hoje, girar em torno de dinheiro, longe de princípios, de valores, de cultura.

A Haver prendas, deveriam ser só para as crianças. O pior, é que estas, estão mal habituadas e não se contentam com uma tablete de chocolate ou um carrinho/boneca qualquer. Mas a culpa é dos pais, que os educaram assim. Passaram anos a oferecer tudo e mais alguma coisa, não tendo sequer a criança tempo para brincar com todas as ofertas. Agora, que não têm dinheiro para lhes comprar o último modelo de consola de jogos, telemóvel, computador, ou uma simples boneca que fala, come e faz necessidades ou um carrinho que anda sozinho, dizem “Este ano não há Natal”. Quantas crianças no mundo, senhores, não sabem o que é uma prenda e nem por isso deixam de viver o Natal? Parem e pensem…

Natal não é “Leopoldina”, “Popota”, nem sequer o “Pai Natal”, histórias de encantar, atracções ao consumo.
Natal não é abundância na mesa, comer num dia, o que dava para uma semana.
Natal não é o que os outros pensam que somos por oferecer ou não um presente, mas sim o que somos na realidade com ou sem prendas.
Muitas pessoas estavam habituadas a viver o Natal assim – prendas a perder de vista e mesa farta. Mas tem de ser assim!? Mesmo que para muitos, isto seja o Natal, podem o fazer com contenção e não dizer apressadamente “Este ano, não há Natal”. Só porque não vai haver prenda para a vizinha com quem mal se fala, não conseguir dar ao filho o que deseja, ao amor de sua vida uma jóia ou o ultimo brinquedo tecnológico, não colocar na mesa dez tipos de doces e três de pratos quentes e frios… “Este ano não há Natal”!?

Natal é um estado de alma, espírito de festa familiar de amizade e compaixão. De solidariedade com quem menos tem. E por isso se diz e bem “Natal devia ser todo o ano”. É isto que é o NATAL. Prendinhas, enfeites, luzinhas, são pormenores que ultrapassam em muito este espírito. Concordo, que servem para alegrar, para tornar diferente a festividade, mas… BOLAS! PODE-SE VIVER SEM ISSO. PODE E DEVE HAVER NATAL SEM CONSUMISMO.

Este vai ser o meu segundo Natal sem respectivo subsídio – Sim! Não me pagam… Como podem ver, já levo dois anos de avanço no campeonato de Não_receber_subsidio_de_Natal. E em minha casa, há e haverá sempre Natal. Para haver Natal, basta, tão só, ter a família reunida e sentada à mesa, pouco importando o que se come, absorver seu calor, amor fraterno. Basta o amigo, nos desejar “Boas Festas”, sendo a melhor prenda, sua amizade.
Sei que não é fácil fugir ao ritmo natalício-consumista com que o Mundo nos brinda. Também me sinto feliz ao oferecer prendas e brindar quem gosto. Mas se a situação assim o não permitir, sou directo, digo não haver prendas para ninguém. Não invento, nem vivo situações financeiras que não correspondem à realidade e não direi “Este ano, não há Natal”.
Por mim, pode haver campanhas publicitárias referentes ao Natal, as ruas podem-se iluminar e lojas enfeitar. Pode soar bem alto a “Noite Feliz” que escutarei com mesma emoção de sempre. O coro de Santo Amaro de Oeiras pode cantar “A todos um Bom Natal”, que acompanharei seu refrão… Escreverei, com minhas sobrinhas a carta ao Pai Natal, mesmo que não venham a receber o que tanto desejam, explicando depois porquê que não receberam o que mais desejaram, se não o receberem ou porquê que só receberam aquela prenda…

O “Pai Natal” pode até nem vir, mas o menino Jesus, há-de trazer alegria, paz e saúde no sapatinho de todos aqueles, que, como eu, acreditam, que o Natal é muito mais que consumo.

Boas Festas.

domingo, 9 de outubro de 2011

Vida em Flor

Amava as flores como ninguém. Homem do campo, cedo aprendeu a viver com elas. Costumava acompanhar seu pai à estufa onde trabalhava. Ai, vi-as crescer. Sua mãe, vendia-as na praça. “Banca da Rosa” – era assim que se chamava e ali, passara grande parte da juventude. Primeiro a ver a mãe trabalhar, mais tarde, com o passar dos anos, na ajuda das tarefas. Se por um lado ficava feliz por cada venda efectuada, por outro, combatia a tristeza de as ver partir, pensando Iriam fazer alguém feliz.
Morava na casa que idealizou. Espaço suficiente para si, para os seus e para construir canteiros. Sim! Para ele, as flores deveriam sempre morar em canteiros. Acto de as trazer para dentro de casa, era sinónimo de tortura. Relógio em contagem decrescente para definharem. Sua Flor tinha o direito de nascer, crescer, viver e morrer junto às de sua espécie ou de parentes próximos. Cortar-lhe o caule era tirar-lhe vida e a separar dos seus pares.
Do trabalho não se queixava. Era jardineiro. Cuidava e tratava dos jardins do município. Gostava da sua responsabilidade e ficava vaidoso, sempre que ouvia piropos aos “seus” jardins. Ficava preocupado em cada intempérie. Fosse chuva ou sol a mais, rezava para que todas se safassem. O que nem sempre acontecia… E chorava…
Tinha um casamento feliz, de onde nascera um lindo rebento. Mulher e filha partilhavam do mesmo gosto, não tinham ciúmes. Lá em casa, todos falavam com as flores e com as plantas. E eram correspondidos. Linguagem, gestos doces delicados que só quem as ama percebia.
Mais que ambicionar, desejava concretizar um sonho – alargar seu jardim, mais um canteiro. Não sabia ao certo o que plantar. De todas as sementes, Deus haveria de escolher. Não a melhor, mas a essencial para se juntar às outras. E confiava na sua escolha. Sabia apenas que queria a casa rodeada de flores. Já tinha algumas, verdade, mas queria mais.
Num dia de felicidade, como qualquer outro dia de sua vida, meteu-se ao trabalho com ajuda de sua amada. Já tinham semeado antes e cada novo dia que o faziam, maior era a convicção. Alguma ou algumas daquelas sementes haviam de brotar. Bastava regar com amor, seu dilema e segredo para as fazer florir.
E todo o dia, assim regava… via e analisava seu crescimento. Uma coisa era já certa – estava a brotar algo. O contentamento era de tal modo, que parecia criança em véspera de Natal. Sabia que estava a nascer, mas não sabia bem o quê. Pensou como seria sua vida quando florisse. É certo que iria mudar. Não só sua vida, como a de todos naquela casa. Comprou livros sobre o assunto, manteve-se informado ao mínimo pormenor. Era a redoma que garantia a segurança da frágil semente a germinar.
Não passava dia, semana, mês, sem ver como crescia. Andava ansioso. Finalmente iria ampliar seu jardim. Seria sempre primavera em flor. Aromas naturais espalhados pelas divisões, frescura da natureza, cores de vida presente habitando sua casa.
E nasceu…
Nasceu, passados nove meses, Margarida, filha de Perpétua e Jasmim, irmã de Dália. Bouquet irradiando Inocência, Para Sempre, Bondade e Amabilidade, União e Delicadeza. Pétalas florescendo no campo que é a vida. Sentiam-se abençoados. Família de Amor-Perfeito, Nenúfar de afecto.