terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Dia-Fénix



Vou esquecer que hoje foi o último dia. Esquecer as atrocidades que assisti nos últimos meses e que mexeram comigo. Esquecer as instituições que em Portugal não funcionam. Esquecer que no tempo que atravessamos, ainda há empresas com mercado, com clientes, com pessoas dispostas a trabalhar, que fecham não pela crise em si, mas por má gestão. Muito má gestão da qual não vou tecer mais adjectivos nesta nota de pensamento.
Esquecer as lágrimas que me fizeram jorrar e a má disposição que os meus mais próximos tiveram de suportar.
Irei lembrar sempre os bons tempos que passei e os ensinamentos que tive. E os amigos que fiz.
Neste momento sinto um alívio por estar livre de tudo o que passei e assisti. E sinto apreensão pelo que me espera.
Desejo que o dia de hoje não fique marcado como o fim, mas sim, o princípio de algo, um renascer - O Dia-Fénix.
Aproveitar esta “oportunidade”, para acreditar um pouco mais em mim. Um começo (quase) do zero. Analisar muito bem o que quero da vida e sair da zona a que chamam de conforto. Arriscar! Pensar que posso fazer mais e melhor do que tenho feito até aqui. Acreditar! Sei que há pessoas que acreditam no meu valor e ás outras o provarei. Assim vai minha disposição.
Com minha Fé e com o amor que me acompanha. Com a família e amigos que sei estarão presentes… Irei lutar e pensar positivamente, que irei renascer e nesta "nova" Vida... Vencer! 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Esperando o Sol



Passavam cinco minutos.
A gabardine pouco protegia do frio que se fazia sentir. Parecia lança rasgando rosto e o corpo tremelicava como se em uma dança estivesse, sem par. O chapéu dado vento que se fazia sentir, mostrava-se pouco ou nada eficaz na sua função. Soprava, enregelando até à alma.
Passavam dez minutos…
As botas que outrora impermeabilizavam, pouco defendiam entrada da água jorrada dos céus, fazendo com que os pés sentissem as agruras do tempo. As mãos, livres de protecção, começavam a ficar roxas, dificultando as articulações.
Passavam quinze minutos…
Ansiedade! De chegar antes da hora combinada. Era esta a hora! E não importando o mais ou menos minuto que passara, ela chegou.
Sua luminosidade no olhar, seu sorriso no meio da intempérie fazia aquecer coração em corpo gélido.
E o dia, esse, virou Primavera. 

sábado, 13 de outubro de 2012

Lágrimas de saudade



Não limpes as lágrimas, que correm em meu rosto
São lágrimas de amor
Não de qualquer desgosto.

Lágrimas de paixão,
Que fertilizam minha vida
Indo ao coração
Em cada despedida.

Não limpes as lágrimas, que correm em meu rosto
São lágrimas de saudade,
De ti, divindade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Que Vale!?



Que vale sol brilhar, se não te reflecte no olhar
Abelha criar doce mel, se não distingues no paladar
E o palhaço levantar plateias, se o esboçar do sorriso não te sai
De que vale ter medo da morte, se a vida não viveres
E o caminho que se corre, sem a um destino chegares
De que vale duvidar, se não for existencial
Que vale rezar e amar um Deus, se não souberes perdoar
Que vale ter vergonha, não o tendo de pecar
De que vale todo este Mundo, se não souberes aproveitar
De que vale esta Vida, se não a souberes partilhar
Que vale tua voz, se não a souberes escutar
De que vale o quanto vales, se outros não valorizares
De que vale questionares, se nas respostas... não pensares.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Palavra


Palavra que flutua
Viaja ao sabor do vento
Se perde na hora do tempo,
Que assenta em gelo
E derrete à medida que é citada.
Quanto custa uma palavra que vigora eternidade!?
E não se esquece, nem se perde algures no passado!?
Palavras que custam confiança,
Ditas, sentidas com vigor teatralizado e que nada valem,
Vigorando o interesse do momento.
Quanto custa uma palavra,
Dita, sentida como lei, dogma da seriedade!?
Cravada na mente, lembrada em qualquer momento,
Para além do tempo.
Palavra!
Ouro deste século,
Raridade do Mundo d`hoje
Conhecer-se
Homem de palavra.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Não um, mas três balões pelo ar


Subiram dois no ar
Entre dezena de milhar.
Que empenho
Dedicação
Fervor amador
Nesta festa popular.
Após acesa a tocha
E a chama controlar,
Ar quente os ergueu
E não mais
(felizmente)
Os devolveu.
Céu limpo, colorido
Estrelado de balões
O primeiro
Na ribeira...
No cais da estiva
Se elevou.
Subiu, subiu
Mesmo antes
Do foguetório
E até perder de vista
O Douro atravessou
E em Gaia Pairou.
Foi o Nosso
Mesmo primeiro
Flutuar de emoções
Na festa Joanina
Já sabíamos,
Quem diria
Da arte secular
De balões lançar.
O segundo
Bem maior,
Confiança, adrenalina
Alta ia já hora
Anoitecer, madrugada
Largo de S. Domingos.
Entre prédios se ergueu
Perante vidrantes olhares
E tão bocas de pasmar
Já não era divina sorte
Fruto do acaso
Fácil o segredo:
Conjugação de equipa
E muita amizade.
O terceiro reza
A história
Fez o seu voo primeiro
Do coração partiu,
Pr`a outros foliões
Ainda embrulhadinho
Repartindo assim prazer
Brincadeiras, emoções
Em noite de S. João.

Fotografia de Miguel Jardim
(Com: Isabel Ribeiro, Maria João Drumond, Ana Manuela Ribeiro, Miguel Jardim e eu)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pico do Castelo


Caminho…
Contigo, só com Deus.
No silencio da Natureza
Onde pássaros esvoaçam
E sardaniscas se afastam
A cada nosso passo
Escondendo-se, refugiando-se
Em Muros de pedras soltas.

Onde o vento sopra
Sem darmos conta
Do quanto o Sol
Que brilha, queima
Pele de nosso corpo.
Caminho…
Pelo trilho,
Que leva ao cume
Onde nuvens
Se juntam a nós
E o céu se encontra
Mais perto.
Caminho…
Contigo até ao cimo,
Onde Deus
Está mais perto
E presencia
Teu sorriso em flor
Ali, naquele pico
Do Castelo,
Árido, de pouca flora
Onde se avista
Todo um Céu,
Beijar imenso Mar…
Em Porto Santo.