terça-feira, 25 de outubro de 2011

Espirito de Natal v Consumismo Natalicio

Estamos em Outubro. Fins de Outubro. Para mim, é normal começar a pensar já no Natal, devido à “construção” do presépio. Há que projectar e arranjar material necessário para a sua feitura. Ao contrário de outros anos, neste, não estou só… pela pior razão.
Este ano, quem trabalha, não vai receber por inteiro o subsídio de Natal. E para os próximos dois anos, os funcionários públicos, nem sequer vão ver um tostão. Como é óbvio, não me congratulo com tal medida, mas não vou entrar no campo político.

Como disse atrás, este ano, tenho a companhia de um país a pensar já no Natal. Mas o que leio, o que ouço entristece minha alma. Vários foram os textos, comentários que me fizeram escrever este post. É triste ouvir dizer “Este ano, não há Natal”.
O que é o Natal!? Está visto que para muitos, Natal, é o corre-corre na baixa de sua cidade, os encontrões nos centros comerciais, as prendas para todos e mais alguns, até se gastar o último cêntimo do subsídio de Natal, ordenado e atingir o limite máximo de crédito do cartão. É um Natal de consumo, de despesismo puro e duro.
Nem sequer vou entrar no campo da religião. Cada um tem a sua, mas como povo de educação cristã, que somos, até fica mal pensarmos assim. Contudo, não é coisa que me surpreenda, visto, a sociedade de hoje, girar em torno de dinheiro, longe de princípios, de valores, de cultura.

A Haver prendas, deveriam ser só para as crianças. O pior, é que estas, estão mal habituadas e não se contentam com uma tablete de chocolate ou um carrinho/boneca qualquer. Mas a culpa é dos pais, que os educaram assim. Passaram anos a oferecer tudo e mais alguma coisa, não tendo sequer a criança tempo para brincar com todas as ofertas. Agora, que não têm dinheiro para lhes comprar o último modelo de consola de jogos, telemóvel, computador, ou uma simples boneca que fala, come e faz necessidades ou um carrinho que anda sozinho, dizem “Este ano não há Natal”. Quantas crianças no mundo, senhores, não sabem o que é uma prenda e nem por isso deixam de viver o Natal? Parem e pensem…

Natal não é “Leopoldina”, “Popota”, nem sequer o “Pai Natal”, histórias de encantar, atracções ao consumo.
Natal não é abundância na mesa, comer num dia, o que dava para uma semana.
Natal não é o que os outros pensam que somos por oferecer ou não um presente, mas sim o que somos na realidade com ou sem prendas.
Muitas pessoas estavam habituadas a viver o Natal assim – prendas a perder de vista e mesa farta. Mas tem de ser assim!? Mesmo que para muitos, isto seja o Natal, podem o fazer com contenção e não dizer apressadamente “Este ano, não há Natal”. Só porque não vai haver prenda para a vizinha com quem mal se fala, não conseguir dar ao filho o que deseja, ao amor de sua vida uma jóia ou o ultimo brinquedo tecnológico, não colocar na mesa dez tipos de doces e três de pratos quentes e frios… “Este ano não há Natal”!?

Natal é um estado de alma, espírito de festa familiar de amizade e compaixão. De solidariedade com quem menos tem. E por isso se diz e bem “Natal devia ser todo o ano”. É isto que é o NATAL. Prendinhas, enfeites, luzinhas, são pormenores que ultrapassam em muito este espírito. Concordo, que servem para alegrar, para tornar diferente a festividade, mas… BOLAS! PODE-SE VIVER SEM ISSO. PODE E DEVE HAVER NATAL SEM CONSUMISMO.

Este vai ser o meu segundo Natal sem respectivo subsídio – Sim! Não me pagam… Como podem ver, já levo dois anos de avanço no campeonato de Não_receber_subsidio_de_Natal. E em minha casa, há e haverá sempre Natal. Para haver Natal, basta, tão só, ter a família reunida e sentada à mesa, pouco importando o que se come, absorver seu calor, amor fraterno. Basta o amigo, nos desejar “Boas Festas”, sendo a melhor prenda, sua amizade.
Sei que não é fácil fugir ao ritmo natalício-consumista com que o Mundo nos brinda. Também me sinto feliz ao oferecer prendas e brindar quem gosto. Mas se a situação assim o não permitir, sou directo, digo não haver prendas para ninguém. Não invento, nem vivo situações financeiras que não correspondem à realidade e não direi “Este ano, não há Natal”.
Por mim, pode haver campanhas publicitárias referentes ao Natal, as ruas podem-se iluminar e lojas enfeitar. Pode soar bem alto a “Noite Feliz” que escutarei com mesma emoção de sempre. O coro de Santo Amaro de Oeiras pode cantar “A todos um Bom Natal”, que acompanharei seu refrão… Escreverei, com minhas sobrinhas a carta ao Pai Natal, mesmo que não venham a receber o que tanto desejam, explicando depois porquê que não receberam o que mais desejaram, se não o receberem ou porquê que só receberam aquela prenda…

O “Pai Natal” pode até nem vir, mas o menino Jesus, há-de trazer alegria, paz e saúde no sapatinho de todos aqueles, que, como eu, acreditam, que o Natal é muito mais que consumo.

Boas Festas.

domingo, 9 de outubro de 2011

Vida em Flor

Amava as flores como ninguém. Homem do campo, cedo aprendeu a viver com elas. Costumava acompanhar seu pai à estufa onde trabalhava. Ai, vi-as crescer. Sua mãe, vendia-as na praça. “Banca da Rosa” – era assim que se chamava e ali, passara grande parte da juventude. Primeiro a ver a mãe trabalhar, mais tarde, com o passar dos anos, na ajuda das tarefas. Se por um lado ficava feliz por cada venda efectuada, por outro, combatia a tristeza de as ver partir, pensando Iriam fazer alguém feliz.
Morava na casa que idealizou. Espaço suficiente para si, para os seus e para construir canteiros. Sim! Para ele, as flores deveriam sempre morar em canteiros. Acto de as trazer para dentro de casa, era sinónimo de tortura. Relógio em contagem decrescente para definharem. Sua Flor tinha o direito de nascer, crescer, viver e morrer junto às de sua espécie ou de parentes próximos. Cortar-lhe o caule era tirar-lhe vida e a separar dos seus pares.
Do trabalho não se queixava. Era jardineiro. Cuidava e tratava dos jardins do município. Gostava da sua responsabilidade e ficava vaidoso, sempre que ouvia piropos aos “seus” jardins. Ficava preocupado em cada intempérie. Fosse chuva ou sol a mais, rezava para que todas se safassem. O que nem sempre acontecia… E chorava…
Tinha um casamento feliz, de onde nascera um lindo rebento. Mulher e filha partilhavam do mesmo gosto, não tinham ciúmes. Lá em casa, todos falavam com as flores e com as plantas. E eram correspondidos. Linguagem, gestos doces delicados que só quem as ama percebia.
Mais que ambicionar, desejava concretizar um sonho – alargar seu jardim, mais um canteiro. Não sabia ao certo o que plantar. De todas as sementes, Deus haveria de escolher. Não a melhor, mas a essencial para se juntar às outras. E confiava na sua escolha. Sabia apenas que queria a casa rodeada de flores. Já tinha algumas, verdade, mas queria mais.
Num dia de felicidade, como qualquer outro dia de sua vida, meteu-se ao trabalho com ajuda de sua amada. Já tinham semeado antes e cada novo dia que o faziam, maior era a convicção. Alguma ou algumas daquelas sementes haviam de brotar. Bastava regar com amor, seu dilema e segredo para as fazer florir.
E todo o dia, assim regava… via e analisava seu crescimento. Uma coisa era já certa – estava a brotar algo. O contentamento era de tal modo, que parecia criança em véspera de Natal. Sabia que estava a nascer, mas não sabia bem o quê. Pensou como seria sua vida quando florisse. É certo que iria mudar. Não só sua vida, como a de todos naquela casa. Comprou livros sobre o assunto, manteve-se informado ao mínimo pormenor. Era a redoma que garantia a segurança da frágil semente a germinar.
Não passava dia, semana, mês, sem ver como crescia. Andava ansioso. Finalmente iria ampliar seu jardim. Seria sempre primavera em flor. Aromas naturais espalhados pelas divisões, frescura da natureza, cores de vida presente habitando sua casa.
E nasceu…
Nasceu, passados nove meses, Margarida, filha de Perpétua e Jasmim, irmã de Dália. Bouquet irradiando Inocência, Para Sempre, Bondade e Amabilidade, União e Delicadeza. Pétalas florescendo no campo que é a vida. Sentiam-se abençoados. Família de Amor-Perfeito, Nenúfar de afecto.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Todo o tempo do mundo

Olhou-se ao espelho após um banho de imersão.
Arranjou-se, como fosse para a festa. O encontro assim o exigia. Não podia apresentar-se com aquele ar pálido com que andava. Pegou no pincel e passou pó de arroz pelo rosto. A face, agora, tinha novo aspecto. Escolheu o batom melhor para a ocasião. Rosa claro. Não gostava de cores muito fortes. Rímel nas pestanas e sombra nos olhos. Apesar de maquilhada, estava sóbria, nada exagerada. Até porque não sabia bem o que iria encontrar. Rugas escondidas, parecendo outra pessoa mirando-se ao espelho. E ao espelho sorria levemente, deixando cair uma lágrima.
Experimentou cada um, como se tivesse todo o tempo do mundo. O vermelho que um dia alguém lhe ofereceu numa viagem pela Europa. Assentava-lhe muito bem, mas seria cor demasiado viva para a ocasião. Com esta desculpa colocou-o de lado, longe das recordações que lhe lembrava, pegando rapidamente no preto. Cada vestido, tinha uma história, rasgos na memória. Chegaram-lhe a dizer que era a mais bela naquela passagem de ano, mas também servira, anos depois, para fazer luto de sua mãe, tal era a simplicidade do vestido, mas também sua beleza. Não estava, nem queria estar de luto naquele momento que queria especial. Olhou pela janela onde Sol brilhava e os pássaros cantavam. A Primavera fez-lhe lembrar o vestido estampado que ficara no roupeiro. Já não experimentou o rosa estendido na cama esperando seu corpo entrar nele. Tons azulados como o céu apresentado nesse dia. Seria perfeito – pensou ela, sem querer experimentar mais nenhum. Dirigiu-se até à sapateira. Duvida existencial de qualquer mulher – salto raso ou salto alto!? O taco alto podia a fazer mais elegante, mas escolheu o raso. O caminho poderia ser longo, mais longo que o imaginário.
Não saiu de casa, sem antes colocar um lenço à volta do pescoço e pela última vez, olhou-se ao espelho. Como estava bonita. Nunca se tinha arranjado tão bem – tinha essa convicção. Até o cabelo, que para estar penteado teria de estar despenteado, conseguiu arranjar forma de o “armar”.
Colocou o carro a trabalhar e dirigiu-se ao local combinado. Olhou para o tablier e viu as horas. Ainda tinha tempo. Continuava com todo o tempo do mundo à sua frente.
Seguiu pela marginal, olhando o rio, onde veleiros competiam em regata. Mais adiante, na gare, um navio cruzeiro, onde centenas de mãos acenavam, despedindo-se de sua cidade. Aquele acto, não lhe passava ao lado. Tentou controlar a emoção, não conseguindo evitar que seus olhos ficassem “nublados”. E respirou fundo…
Subiu a colina, que lhe daria acesso à ponte. Os nervos começavam a tomar conta à medida que se aproximava do destino por si pré-definido.
Nunca fez tão poucos quilómetros em tanto tempo. Chegou a ouvir buzinadelas. Chegou a ser xingada. Nada fazia mudar sua condução. A velocidade não estava a ser cumprida no limite mínimo. O pé direito parecia não querer chegar ao destino.
Parou o carro no cimo do tabuleiro, lágrimas escorrendo pela cara, borrando pintura que tinha sido feita com tanto esmero. Havia chegado ao local. Dirigiu-se à bagageira e tirou o saco que havia posto, quando saiu de casa. O caminho podia ser longo, mas no momento crucial, tinha de estar elegante. A vaidade levou-a a levar os sapatos de salto alto. Calçou-os… Ouvindo sirenes à distância encaminhou-se apressada para a berma. Sentiu seus pés presos, como se a tivessem a agarrar. Chorando copiosamente não conseguiu lutar… Viu então, que os saltos, se prendiam no tabuleiro. Fez-se luz… Levou “aquilo” como um sinal. Sua vaidade tinha-a salvo de uma queda vertiginosa sem volta. Voltou a calçar os sapatos rasos, entrou no carro, ligou o rádio e seguiu viagem. Desviando o olhar à esquerda, pareceu-lhe ver Cristo-Rei piscar-lhe o olho e abraçando seu destino. Agradecendo-Lhe, sorriu… Percebendo que aquilo que queremos encontrar, nem sempre é o que precisamos. E todo o tempo do mundo, passou a ser… tão curto.

domingo, 28 de agosto de 2011

Um olhar pelo rio

Sentado no banco mais solarengo, olho para ti.
Verdade! Tens razão… Quem quero enganar!?…
Quanta vez olhei para ti em dia invernoso.
Gotas vindas do céu, tornam-te especial, bem como raios de Sol te dão a cor que me faz apaixonar.
Verde, azul, mistura de ambas, que importa tua cor!? Sendo a tua cor…
Vais, vens dia a dia, fazendo tua vida, dando vida a quem passa.
Beleza em maré cheia, espelhando meu rosto em teu, sinto teus lábios beijar meus.
Vazia, deixas lodo, nas rochas da saudade.
Corres para o Mar, como quem corre para o Amor.
Por vezes, o contrário…
Foges do Mar, entrando este dentro de ti, como quem joga a apanhada – agora eu, depois tu.
Vento que entra na brincadeira e te faz ondular, fazendo-te saltar das margens…
E penso que me queres abraçar.
Levanto-me!
Agacho-me um pouco tocando em ti…
E Choro o teu sofrer…
Gente ingrata, que usa, abusa de tua generosidade.
Olho Cristo Rei abraçando Lisboa, protegendo quem passa, em ti navega.
Envergonhado, procuro teus olhos, perguntando:
- Quem te protege a ti?
Tua veste de seda conspurcada por óleo de navio, tingida, padrão que não o teu, fora de moda, agreste.
Latas, garrafas atiradas, chicoteando teu corpo, quem as ampara?
Jornais, maços, papéis, maquilhando, escondendo teu rosto.
Marcas, cicatrizes, queimadura de beata, torturando, maltratando tua presença…
Ergo meu corpo, encarno Velho do Restelo, reclamo teu direito.
Ajoelho-me perante ti, implorando que não te revoltes como antes - invadindo terra, matando meus semelhantes.
Junto minhas mãos, rezando a Deus…

Ao Tejo que me dá vida,
Dai-lhe a vida que merece.
Não menos que à do Homem,
Que carece de sabedoria,
Para com ele
Saber viver em harmonia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A minha visão sobre a indústria portuguesa

O estado a que chegou a indústria portuguesa, não surpreende, a quem sempre trabalhou nela, para ela ou estudou a sua evolução e consistência ao longo dos tempos.
Não é necessário recorrer a dados nem à estatística, para se chegar à conclusão que a grande culpa, a maior da responsabilidade é dos nossos industriais/empresários.

O 25 de Abril de 1974 foi o primeiro revés para a indústria portuguesa. Não vou discutir regimes políticos, se este é melhor que o outro ou o outro é melhor que este. A verdade é que muita da nossa indústria foi destruída em nome da “liberdade”. Poucas foram, as empresas, que sobreviveram à tomada de posse pelos trabalhadores. E as que sobreviveram foram aquelas, a quem, os trabalhadores “abriram os olhos” e devolveram a chefia ao seu antigo patrão/dono. Também as nacionalizações, fizeram parar o investimento e estagnar o seu desenvolvimento.

Após, Portugal, garantir estabilidade política, veio a entrada na Comunidade Económica Europeia (C.E.E.) e os fundos comunitários. Nunca Portugal tinha visto tanto dinheiro. Modernizou-se e construíram-se infra-estruturas de apoio à economia nacional – a era do Betão.
Dinheiro mal gasto pelo Estado houve muito, com certeza. Dinheiro mal gasto pelos nossos industriais/empresários ainda mais. Quem acompanha as notícias sabe que ainda hoje (vergonhosamente) são vários os processos que correm em tribunal opondo o Estado e a União Europeia de um lado, a sindicatos e gerentes de empresas, do outro lado da barricada, devido ao açambarcamento do dinheiro que deveria ter ido para a formação dos trabalhadores. Esta nunca foi feita, quando muito fingida ser feita. O dinheiro servia para tudo, menos para desenvolver e modernizar a actividade ou formar quem de direito.

Um dos grandes problemas da nossa indústria, que já vem de há muito tempo, vem do facto de serem empresas familiares, ou seja, a existência de um só proprietário. Pode haver sociedade, mas onde impera a maioria de um sócio. Os outros sócios, muitas vezes herdeiros, só lhes interessa se no fim do ano há distribuição de lucro ou não. Empresas que passam de pai para filho o que por si só não garante conhecimentos para a sua sobrevivência. Esta situação, passou a que durante muitos anos, não houvesse controlo algum do dinheiro entrado. O empresário sempre pensou (mal) que o dinheiro da empresa era dinheiro seu. Com este pensamento, muitos enriqueceram, outros desgraçaram-se e arrastaram milhares de pessoas com eles. Todos os anos, temos exemplos de empresas que fecham, sem ninguém perceber o porquê. Sem perceberem que gerir uma empresa que dá sempre lucro, sem grande esforço, não pode sobreviver sem inovação, sem plano de contingência. Com o dinheiro a entrar todos sabem gerir, até o mais iletrado. Mais difícil é gerir uma empresa, quando surgem dificuldades. Aí é que se vê o bom gestor.

Vivenda, troca de carro com frequência e de alta cilindrada, dinheiro na Suíça (hoje, offshores), férias no estrangeiro, são algumas características que passaram a definir uma nova classe social - os novos-ricos. Sempre souberam gerir as empresas em clima próspero, quando o vento estava de feição. Surgem os primeiros problemas e tapam o buraco, deixando as rachas à vista, que mais cedo ou mais tarde a vai fazer desmoronar, sem que possa haver salvação. Com a situação de crise que vivemos nos últimos anos, sobram os melhores. Se tomarmos a crise como um filtro, fica a nata da nata, sobrevive quem está preparado para isso.
Muitas vezes os trabalhadores não percebem o que se passa, da descapitalização que foi feita anos a fio. Têm o ordenado em dia, tudo está bem e pouco mais importa. Têm trabalho, a empresa é produtiva e muitos dão o seu melhor. Por isso, quando fecham, quantas vezes, assistimos na TV a trabalhadores surpreendidos, dizerem “a empresa estava a produzir a bom ritmo” e “até tinha encomendas futuras”. Pois é… Mas empresa descapitalizada, não paga a fornecedores, não consegue pagar ao Estado, falha compromissos com a banca. Insolvência e/ou falência é sempre o seu destino. Empresários que até aqui, sacavam o deles e o que não era deles, gastavam tudo a seu bel-prazer. Em hora de dificuldade, não metem um tostão, dizem apenas, quando não têm vergonha na cara, “A empresa não tem dinheiro para pagar…”. Isto quando não se escondem e fogem às responsabilidades.

Poucos foram os que verdadeiramente souberam enriquecer ao mesmo tempo que a empresa também crescia. Contam-se pelos dedos de uma mão os negócios familiares que sobreviveram ao longo do tempo. É diferente, uma empresa ter à frente pessoas com visão, que conseguem esperar a ganhar tudo de uma vez, que não fazem da “caixa” da empresa o seu mealheiro - apesar de a empresa ser sua. São empresas que se desenvolveram e empregam nos dias de hoje centenas, milhares de pessoas, algumas tornaram-se multinacionais desejadas por investidores estrangeiros. Souberam inovar-se, procurar novos mercados, mas acima de tudo, tiveram ética empresarial.

Não só os empresários sem carácter, que depois fogem, não dando a cara, são culpados do estado a que chegou a nossa indústria. A justiça tem grande culpa por deixar esta gente, impune, deixando-os fechar e abrir empresas, sempre com o mesmo esquema – o de sacar enquanto podem. As contabilidades que entram nos estratagemas das empresas com medo de perderem o cliente. Também a politica económica, nacional e europeia o é. Como se admite que a nossa costa marítima seja das maiores e Portugal não ter frota pesqueira que se veja!? Termos acabado com a agricultura, tendo terras férteis ao abandono e clima sem igual na Europa!? Toda uma indústria vendida a troco de “30 moedas”.

Estamos agora a colher o que semeamos. Portugal, ao contrário do que muitos pensam, não está na periferia da Europa – péssimo ponto de vista. Está sim, na primeira linha. Portugal devia ser gerido como porta de entrada para a América e África na Europa e de saída também. Nenhum país europeu está tão próximo destes continentes como nós. Ter uma palavra a dizer na indústria marítima, aérea e férrea. Ponto de passagem, distribuição destes Continentes para a Europa e vice-versa. Nada disto existe, nem se pensa. Quando um bem produzido em Portugal, sai mais barato ao português, se comprado no estrangeiro… está tudo explicado. Existe tão só, uma indústria turística, que está a destruir toda a nossa Costa, vulgarizando-a, devido à ganância e à falta de ordenamento do território.

A culpa a que chegou a nossa indústria e de muito do sector empresarial que podia ter vingado? É da falta de visão, de cultura empresarial, ética, de regras e de políticas que não sejam só a de receber para nada se fazer.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Dança Astrológica

Nasce Sol
Iluminando dia.
No Mar se põe
Colorindo céu
Azul, laranja,
Vermelho
Tela quente
Mil paixões…
Nasce Lua
Ilumina noite.
Quarto crescente
Até Nova,
Permitindo
Sem egoísmos,
Céu estrelado
Constelações,
Noite luar
Mil paixões.
Dia, Noite
Se Conjugam
Numa dança astrológica,
Bailando
Sol e Lua…
Cumprimentam
Teu sorriso…
Iluminando-o
Todo dia
Toda Noite.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Óculos de Sol

Todos nós sabemos, por certo, definir óculos de sol. A sua nobre utilidade na protecção da vista, não é colocada em causa, mas… E há sempre um “mas” que assombra meu pensamento e faz-me pensar. Dúvidas, perguntas que faço a mim mesmo sem conseguir alcançar resposta.
Existem muitas pessoas que utilizam os óculos de sol por questões de saúde, de bem-estar e até para facilitar a realização de certas tarefas como a condução. A claridade, só por si pode incomodar a vista. Eu próprio, deveria de usá-los diariamente, já que, quase basta ser dia, para franzir os olhos tipo “chinês”. Mas a preguiça de andar com dois pares de óculos e passar o dia, no tira e põe óculos… não é comigo. Dai só os usar ocasionalmente. 
Outras pessoas utilizam-nos, apenas e só, como acessório de moda. Têm dezenas de pares, armações e lentes das mais diversas cores e feitios e para toda a indumentária. São questões de gosto, nada tenho contra, até porque, há muita gente que fica bastante fashion com os óculos certos. Muitas destas, recusam aparecer em publico com óculos de correcção, utilizando lentes de contacto ou até mesmo nada. Preferem ver mal, pensando ficarem menos belas (como se um par de óculos, só por si, definisse feiura) ou a serem conotadas com “caixinha de óculos” ou “pitosga”. Estes termos, de gozo, discriminatórios e pouco democráticos não se aplicam aos óculos de sol, mas sim e quase só a quem tem problemas de miopia e astigmatismo. Portanto, e do ponto de vista desta gente, um Ser com óculos de Sol, incólume a tal xingação é por si só… um ser de outra beleza, de uma divisão superior. Mesmo que não veja nada à frente e as lentes sejam chinesas ou marroquinas de má qualidade e lhes estejam a dar cabo da vista.
Muitas são as razões para as pessoas gostarem de os usar. Como se costuma dizer “Gostos não se discutem” e se gostam de os usar só porque sim… quem sou eu para colocar isso em causa. Não deixa de ser engraçado assistir às suas inúmeras utilidades. Num dia de Inverno rigoroso servirão por certo para não borrar a pintura dos olhos das senhoras (e nos senhores!? não faço a mínima ideia). Existem algumas pessoas, que os guardam na testa, ou, será uma nova utilização para esconder algo!? Na cabeça, também são muito úteis - a servir de bandolete ou para proteger os piolhitos dos raios ultra-violeta. Podem até mesmo, ao serem utilizados na boca e roendo as hastes ser uma bela substituição das unhas. E uma bela passerelle ao não sair do chapéu, com este posto – seja boné ou de palha.  
Vejamos mais casos.
Porquê que há pessoas que utilizam óculos de sol em sítios como o metropolitano de Lisboa!? Será por causa da luz? A luz do Sol não entra e a artificial é tão fraca que custa crer, causar tanto problema à vista de inúmeros portugueses. A explicação pode ser o não querer ser descoberto a dormir, mas, (desculpem-me se vou dizer alguma coisa que não saibam) a boca meio aberta e o descair da cabeça não há óculos que disfarce. Pode haver outra explicação. O de poder mirar quem entra e quem sai, de cima a baixo, sem ser topado. Neste caso as lentes costumam ser espelhadas (ao longo do dia, sempre vai dando para o "espelho! espelho meu..."), o problema é que, quando gostam demasiado da vista – também aqui, de pouco servem para ocultar o que quer que seja – acabam sempre por dar nas vistas ao olhar por cima dos óculos de sol. Digamos que, para poderem ver ao “natural”.
Outra situação que me causa alguma estranheza é nos velórios e enterros. Para muitas pessoas, os óculos de sol é o acessório indispensável para ocultar o que se sente. Ou emocionam-se e têm vergonha que as vejam chorar, ou não se emocionam e têm vergonha, mas desta feita, que as não vejam chorar. Em ambos os casos, não percebo o porquê de se esconderem. A sinceridade está no que dizem os olhos.
“Esconder”! Deve ser a grande utilização para os óculos de sol. Para além do que já escrevi antes, poderão servir de manhã para esconder as rugas de uma noite mal dormida, um olho negro, um terçolho, um olhar indiscreto, esconder-se no final de contas de si mesmo. 
Por último, ajudam na falta de educação. Quando apresentam uma pessoa e esta não tira os óculos de sol e mantêm-se sempre a conversar com eles postos sem se ver nesga dos olhos… Merece educadamente um “passe bem” e até à (não) próxima vez. 
Caros amigos, este texto não foi escrito com os óculos de sol posto. Bem podia ter sido, para não ver o que, para aqui, escrevi. Foi, isso sim, pensado com eles postos, num dia de praia, deitado e de olhos fechados. Para que serviam os óculos de sol!? Bem!... Talvez para pensar que fosse noite e dormiscar um pouco J