Sentado no banco mais solarengo, olho para ti.
Verdade! Tens razão… Quem quero enganar!?…
Quanta vez olhei para ti em dia invernoso.
Gotas vindas do céu, tornam-te especial, bem como raios de Sol te dão a cor que me faz apaixonar.
Verde, azul, mistura de ambas, que importa tua cor!? Sendo a tua cor…
Vais, vens dia a dia, fazendo tua vida, dando vida a quem passa.
Beleza em maré cheia, espelhando meu rosto em teu, sinto teus lábios beijar meus.
Vazia, deixas lodo, nas rochas da saudade.
Corres para o Mar, como quem corre para o Amor.
Por vezes, o contrário…
Foges do Mar, entrando este dentro de ti, como quem joga a apanhada – agora eu, depois tu.
Vento que entra na brincadeira e te faz ondular, fazendo-te saltar das margens…
E penso que me queres abraçar.
Levanto-me!
Agacho-me um pouco tocando em ti…
E Choro o teu sofrer…
Gente ingrata, que usa, abusa de tua generosidade.
Olho Cristo Rei abraçando Lisboa, protegendo quem passa, em ti navega.
Envergonhado, procuro teus olhos, perguntando:
- Quem te protege a ti?
Tua veste de seda conspurcada por óleo de navio, tingida, padrão que não o teu, fora de moda, agreste.
Latas, garrafas atiradas, chicoteando teu corpo, quem as ampara?
Jornais, maços, papéis, maquilhando, escondendo teu rosto.
Marcas, cicatrizes, queimadura de beata, torturando, maltratando tua presença…
Ergo meu corpo, encarno Velho do Restelo, reclamo teu direito.
Ajoelho-me perante ti, implorando que não te revoltes como antes - invadindo terra, matando meus semelhantes.
Junto minhas mãos, rezando a Deus…
Ao Tejo que me dá vida,
Dai-lhe a vida que merece.
Não menos que à do Homem,
Que carece de sabedoria,
Para com ele
Saber viver em harmonia.
domingo, 28 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A minha visão sobre a indústria portuguesa
O estado a que chegou a indústria portuguesa, não surpreende, a quem sempre trabalhou nela, para ela ou estudou a sua evolução e consistência ao longo dos tempos.
Não é necessário recorrer a dados nem à estatística, para se chegar à conclusão que a grande culpa, a maior da responsabilidade é dos nossos industriais/empresários.
O 25 de Abril de 1974 foi o primeiro revés para a indústria portuguesa. Não vou discutir regimes políticos, se este é melhor que o outro ou o outro é melhor que este. A verdade é que muita da nossa indústria foi destruída em nome da “liberdade”. Poucas foram, as empresas, que sobreviveram à tomada de posse pelos trabalhadores. E as que sobreviveram foram aquelas, a quem, os trabalhadores “abriram os olhos” e devolveram a chefia ao seu antigo patrão/dono. Também as nacionalizações, fizeram parar o investimento e estagnar o seu desenvolvimento.
Após, Portugal, garantir estabilidade política, veio a entrada na Comunidade Económica Europeia (C.E.E.) e os fundos comunitários. Nunca Portugal tinha visto tanto dinheiro. Modernizou-se e construíram-se infra-estruturas de apoio à economia nacional – a era do Betão.
Dinheiro mal gasto pelo Estado houve muito, com certeza. Dinheiro mal gasto pelos nossos industriais/empresários ainda mais. Quem acompanha as notícias sabe que ainda hoje (vergonhosamente) são vários os processos que correm em tribunal opondo o Estado e a União Europeia de um lado, a sindicatos e gerentes de empresas, do outro lado da barricada, devido ao açambarcamento do dinheiro que deveria ter ido para a formação dos trabalhadores. Esta nunca foi feita, quando muito fingida ser feita. O dinheiro servia para tudo, menos para desenvolver e modernizar a actividade ou formar quem de direito.
Um dos grandes problemas da nossa indústria, que já vem de há muito tempo, vem do facto de serem empresas familiares, ou seja, a existência de um só proprietário. Pode haver sociedade, mas onde impera a maioria de um sócio. Os outros sócios, muitas vezes herdeiros, só lhes interessa se no fim do ano há distribuição de lucro ou não. Empresas que passam de pai para filho o que por si só não garante conhecimentos para a sua sobrevivência. Esta situação, passou a que durante muitos anos, não houvesse controlo algum do dinheiro entrado. O empresário sempre pensou (mal) que o dinheiro da empresa era dinheiro seu. Com este pensamento, muitos enriqueceram, outros desgraçaram-se e arrastaram milhares de pessoas com eles. Todos os anos, temos exemplos de empresas que fecham, sem ninguém perceber o porquê. Sem perceberem que gerir uma empresa que dá sempre lucro, sem grande esforço, não pode sobreviver sem inovação, sem plano de contingência. Com o dinheiro a entrar todos sabem gerir, até o mais iletrado. Mais difícil é gerir uma empresa, quando surgem dificuldades. Aí é que se vê o bom gestor.
Vivenda, troca de carro com frequência e de alta cilindrada, dinheiro na Suíça (hoje, offshores), férias no estrangeiro, são algumas características que passaram a definir uma nova classe social - os novos-ricos. Sempre souberam gerir as empresas em clima próspero, quando o vento estava de feição. Surgem os primeiros problemas e tapam o buraco, deixando as rachas à vista, que mais cedo ou mais tarde a vai fazer desmoronar, sem que possa haver salvação. Com a situação de crise que vivemos nos últimos anos, sobram os melhores. Se tomarmos a crise como um filtro, fica a nata da nata, sobrevive quem está preparado para isso.
Muitas vezes os trabalhadores não percebem o que se passa, da descapitalização que foi feita anos a fio. Têm o ordenado em dia, tudo está bem e pouco mais importa. Têm trabalho, a empresa é produtiva e muitos dão o seu melhor. Por isso, quando fecham, quantas vezes, assistimos na TV a trabalhadores surpreendidos, dizerem “a empresa estava a produzir a bom ritmo” e “até tinha encomendas futuras”. Pois é… Mas empresa descapitalizada, não paga a fornecedores, não consegue pagar ao Estado, falha compromissos com a banca. Insolvência e/ou falência é sempre o seu destino. Empresários que até aqui, sacavam o deles e o que não era deles, gastavam tudo a seu bel-prazer. Em hora de dificuldade, não metem um tostão, dizem apenas, quando não têm vergonha na cara, “A empresa não tem dinheiro para pagar…”. Isto quando não se escondem e fogem às responsabilidades.
Poucos foram os que verdadeiramente souberam enriquecer ao mesmo tempo que a empresa também crescia. Contam-se pelos dedos de uma mão os negócios familiares que sobreviveram ao longo do tempo. É diferente, uma empresa ter à frente pessoas com visão, que conseguem esperar a ganhar tudo de uma vez, que não fazem da “caixa” da empresa o seu mealheiro - apesar de a empresa ser sua. São empresas que se desenvolveram e empregam nos dias de hoje centenas, milhares de pessoas, algumas tornaram-se multinacionais desejadas por investidores estrangeiros. Souberam inovar-se, procurar novos mercados, mas acima de tudo, tiveram ética empresarial.
Não só os empresários sem carácter, que depois fogem, não dando a cara, são culpados do estado a que chegou a nossa indústria. A justiça tem grande culpa por deixar esta gente, impune, deixando-os fechar e abrir empresas, sempre com o mesmo esquema – o de sacar enquanto podem. As contabilidades que entram nos estratagemas das empresas com medo de perderem o cliente. Também a politica económica, nacional e europeia o é. Como se admite que a nossa costa marítima seja das maiores e Portugal não ter frota pesqueira que se veja!? Termos acabado com a agricultura, tendo terras férteis ao abandono e clima sem igual na Europa!? Toda uma indústria vendida a troco de “30 moedas”.
Estamos agora a colher o que semeamos. Portugal, ao contrário do que muitos pensam, não está na periferia da Europa – péssimo ponto de vista. Está sim, na primeira linha. Portugal devia ser gerido como porta de entrada para a América e África na Europa e de saída também. Nenhum país europeu está tão próximo destes continentes como nós. Ter uma palavra a dizer na indústria marítima, aérea e férrea. Ponto de passagem, distribuição destes Continentes para a Europa e vice-versa. Nada disto existe, nem se pensa. Quando um bem produzido em Portugal, sai mais barato ao português, se comprado no estrangeiro… está tudo explicado. Existe tão só, uma indústria turística, que está a destruir toda a nossa Costa, vulgarizando-a, devido à ganância e à falta de ordenamento do território.
A culpa a que chegou a nossa indústria e de muito do sector empresarial que podia ter vingado? É da falta de visão, de cultura empresarial, ética, de regras e de políticas que não sejam só a de receber para nada se fazer.
Não é necessário recorrer a dados nem à estatística, para se chegar à conclusão que a grande culpa, a maior da responsabilidade é dos nossos industriais/empresários.
O 25 de Abril de 1974 foi o primeiro revés para a indústria portuguesa. Não vou discutir regimes políticos, se este é melhor que o outro ou o outro é melhor que este. A verdade é que muita da nossa indústria foi destruída em nome da “liberdade”. Poucas foram, as empresas, que sobreviveram à tomada de posse pelos trabalhadores. E as que sobreviveram foram aquelas, a quem, os trabalhadores “abriram os olhos” e devolveram a chefia ao seu antigo patrão/dono. Também as nacionalizações, fizeram parar o investimento e estagnar o seu desenvolvimento.
Após, Portugal, garantir estabilidade política, veio a entrada na Comunidade Económica Europeia (C.E.E.) e os fundos comunitários. Nunca Portugal tinha visto tanto dinheiro. Modernizou-se e construíram-se infra-estruturas de apoio à economia nacional – a era do Betão.
Dinheiro mal gasto pelo Estado houve muito, com certeza. Dinheiro mal gasto pelos nossos industriais/empresários ainda mais. Quem acompanha as notícias sabe que ainda hoje (vergonhosamente) são vários os processos que correm em tribunal opondo o Estado e a União Europeia de um lado, a sindicatos e gerentes de empresas, do outro lado da barricada, devido ao açambarcamento do dinheiro que deveria ter ido para a formação dos trabalhadores. Esta nunca foi feita, quando muito fingida ser feita. O dinheiro servia para tudo, menos para desenvolver e modernizar a actividade ou formar quem de direito.
Um dos grandes problemas da nossa indústria, que já vem de há muito tempo, vem do facto de serem empresas familiares, ou seja, a existência de um só proprietário. Pode haver sociedade, mas onde impera a maioria de um sócio. Os outros sócios, muitas vezes herdeiros, só lhes interessa se no fim do ano há distribuição de lucro ou não. Empresas que passam de pai para filho o que por si só não garante conhecimentos para a sua sobrevivência. Esta situação, passou a que durante muitos anos, não houvesse controlo algum do dinheiro entrado. O empresário sempre pensou (mal) que o dinheiro da empresa era dinheiro seu. Com este pensamento, muitos enriqueceram, outros desgraçaram-se e arrastaram milhares de pessoas com eles. Todos os anos, temos exemplos de empresas que fecham, sem ninguém perceber o porquê. Sem perceberem que gerir uma empresa que dá sempre lucro, sem grande esforço, não pode sobreviver sem inovação, sem plano de contingência. Com o dinheiro a entrar todos sabem gerir, até o mais iletrado. Mais difícil é gerir uma empresa, quando surgem dificuldades. Aí é que se vê o bom gestor.
Vivenda, troca de carro com frequência e de alta cilindrada, dinheiro na Suíça (hoje, offshores), férias no estrangeiro, são algumas características que passaram a definir uma nova classe social - os novos-ricos. Sempre souberam gerir as empresas em clima próspero, quando o vento estava de feição. Surgem os primeiros problemas e tapam o buraco, deixando as rachas à vista, que mais cedo ou mais tarde a vai fazer desmoronar, sem que possa haver salvação. Com a situação de crise que vivemos nos últimos anos, sobram os melhores. Se tomarmos a crise como um filtro, fica a nata da nata, sobrevive quem está preparado para isso.
Muitas vezes os trabalhadores não percebem o que se passa, da descapitalização que foi feita anos a fio. Têm o ordenado em dia, tudo está bem e pouco mais importa. Têm trabalho, a empresa é produtiva e muitos dão o seu melhor. Por isso, quando fecham, quantas vezes, assistimos na TV a trabalhadores surpreendidos, dizerem “a empresa estava a produzir a bom ritmo” e “até tinha encomendas futuras”. Pois é… Mas empresa descapitalizada, não paga a fornecedores, não consegue pagar ao Estado, falha compromissos com a banca. Insolvência e/ou falência é sempre o seu destino. Empresários que até aqui, sacavam o deles e o que não era deles, gastavam tudo a seu bel-prazer. Em hora de dificuldade, não metem um tostão, dizem apenas, quando não têm vergonha na cara, “A empresa não tem dinheiro para pagar…”. Isto quando não se escondem e fogem às responsabilidades.
Poucos foram os que verdadeiramente souberam enriquecer ao mesmo tempo que a empresa também crescia. Contam-se pelos dedos de uma mão os negócios familiares que sobreviveram ao longo do tempo. É diferente, uma empresa ter à frente pessoas com visão, que conseguem esperar a ganhar tudo de uma vez, que não fazem da “caixa” da empresa o seu mealheiro - apesar de a empresa ser sua. São empresas que se desenvolveram e empregam nos dias de hoje centenas, milhares de pessoas, algumas tornaram-se multinacionais desejadas por investidores estrangeiros. Souberam inovar-se, procurar novos mercados, mas acima de tudo, tiveram ética empresarial.
Não só os empresários sem carácter, que depois fogem, não dando a cara, são culpados do estado a que chegou a nossa indústria. A justiça tem grande culpa por deixar esta gente, impune, deixando-os fechar e abrir empresas, sempre com o mesmo esquema – o de sacar enquanto podem. As contabilidades que entram nos estratagemas das empresas com medo de perderem o cliente. Também a politica económica, nacional e europeia o é. Como se admite que a nossa costa marítima seja das maiores e Portugal não ter frota pesqueira que se veja!? Termos acabado com a agricultura, tendo terras férteis ao abandono e clima sem igual na Europa!? Toda uma indústria vendida a troco de “30 moedas”.
Estamos agora a colher o que semeamos. Portugal, ao contrário do que muitos pensam, não está na periferia da Europa – péssimo ponto de vista. Está sim, na primeira linha. Portugal devia ser gerido como porta de entrada para a América e África na Europa e de saída também. Nenhum país europeu está tão próximo destes continentes como nós. Ter uma palavra a dizer na indústria marítima, aérea e férrea. Ponto de passagem, distribuição destes Continentes para a Europa e vice-versa. Nada disto existe, nem se pensa. Quando um bem produzido em Portugal, sai mais barato ao português, se comprado no estrangeiro… está tudo explicado. Existe tão só, uma indústria turística, que está a destruir toda a nossa Costa, vulgarizando-a, devido à ganância e à falta de ordenamento do território.
A culpa a que chegou a nossa indústria e de muito do sector empresarial que podia ter vingado? É da falta de visão, de cultura empresarial, ética, de regras e de políticas que não sejam só a de receber para nada se fazer.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Dança Astrológica
Nasce Sol
Iluminando dia.
No Mar se põe
Colorindo céu
Azul, laranja,
Vermelho
Tela quente
Mil paixões…
Nasce Lua
Ilumina noite.
Quarto crescente
Até Nova,
Permitindo
Sem egoísmos,
Céu estrelado
Constelações,
Noite luar
Mil paixões.
Dia, Noite
Se Conjugam
Numa dança astrológica,
Bailando
Sol e Lua…
Cumprimentam
Teu sorriso…
Iluminando-o
Todo dia
Toda Noite.
Iluminando dia.
No Mar se põe
Colorindo céu
Azul, laranja,
Vermelho
Tela quente
Mil paixões…
Nasce Lua
Ilumina noite.
Quarto crescente
Até Nova,
Permitindo
Sem egoísmos,
Céu estrelado
Constelações,
Noite luar
Mil paixões.
Dia, Noite
Se Conjugam
Numa dança astrológica,
Bailando
Sol e Lua…
Cumprimentam
Teu sorriso…
Iluminando-o
Todo dia
Toda Noite.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Óculos de Sol
Todos nós sabemos, por certo, definir óculos de sol. A sua nobre utilidade na protecção da vista, não é colocada em causa, mas… E há sempre um “mas” que assombra meu pensamento e faz-me pensar. Dúvidas, perguntas que faço a mim mesmo sem conseguir alcançar resposta.
Existem muitas pessoas que utilizam os óculos de sol por questões de saúde, de bem-estar e até para facilitar a realização de certas tarefas como a condução. A claridade, só por si pode incomodar a vista. Eu próprio, deveria de usá-los diariamente, já que, quase basta ser dia, para franzir os olhos tipo “chinês”. Mas a preguiça de andar com dois pares de óculos e passar o dia, no tira e põe óculos… não é comigo. Dai só os usar ocasionalmente.
Outras pessoas utilizam-nos, apenas e só, como acessório de moda. Têm dezenas de pares, armações e lentes das mais diversas cores e feitios e para toda a indumentária. São questões de gosto, nada tenho contra, até porque, há muita gente que fica bastante fashion com os óculos certos. Muitas destas, recusam aparecer em publico com óculos de correcção, utilizando lentes de contacto ou até mesmo nada. Preferem ver mal, pensando ficarem menos belas (como se um par de óculos, só por si, definisse feiura) ou a serem conotadas com “caixinha de óculos” ou “pitosga”. Estes termos, de gozo, discriminatórios e pouco democráticos não se aplicam aos óculos de sol, mas sim e quase só a quem tem problemas de miopia e astigmatismo. Portanto, e do ponto de vista desta gente, um Ser com óculos de Sol, incólume a tal xingação é por si só… um ser de outra beleza, de uma divisão superior. Mesmo que não veja nada à frente e as lentes sejam chinesas ou marroquinas de má qualidade e lhes estejam a dar cabo da vista.
Muitas são as razões para as pessoas gostarem de os usar. Como se costuma dizer “Gostos não se discutem” e se gostam de os usar só porque sim… quem sou eu para colocar isso em causa. Não deixa de ser engraçado assistir às suas inúmeras utilidades. Num dia de Inverno rigoroso servirão por certo para não borrar a pintura dos olhos das senhoras (e nos senhores!? não faço a mínima ideia). Existem algumas pessoas, que os guardam na testa, ou, será uma nova utilização para esconder algo!? Na cabeça, também são muito úteis - a servir de bandolete ou para proteger os piolhitos dos raios ultra-violeta. Podem até mesmo, ao serem utilizados na boca e roendo as hastes ser uma bela substituição das unhas. E uma bela passerelle ao não sair do chapéu, com este posto – seja boné ou de palha.
Vejamos mais casos.
Porquê que há pessoas que utilizam óculos de sol em sítios como o metropolitano de Lisboa!? Será por causa da luz? A luz do Sol não entra e a artificial é tão fraca que custa crer, causar tanto problema à vista de inúmeros portugueses. A explicação pode ser o não querer ser descoberto a dormir, mas, (desculpem-me se vou dizer alguma coisa que não saibam) a boca meio aberta e o descair da cabeça não há óculos que disfarce. Pode haver outra explicação. O de poder mirar quem entra e quem sai, de cima a baixo, sem ser topado. Neste caso as lentes costumam ser espelhadas (ao longo do dia, sempre vai dando para o "espelho! espelho meu..."), o problema é que, quando gostam demasiado da vista – também aqui, de pouco servem para ocultar o que quer que seja – acabam sempre por dar nas vistas ao olhar por cima dos óculos de sol. Digamos que, para poderem ver ao “natural”.
Outra situação que me causa alguma estranheza é nos velórios e enterros. Para muitas pessoas, os óculos de sol é o acessório indispensável para ocultar o que se sente. Ou emocionam-se e têm vergonha que as vejam chorar, ou não se emocionam e têm vergonha, mas desta feita, que as não vejam chorar. Em ambos os casos, não percebo o porquê de se esconderem. A sinceridade está no que dizem os olhos.
“Esconder”! Deve ser a grande utilização para os óculos de sol. Para além do que já escrevi antes, poderão servir de manhã para esconder as rugas de uma noite mal dormida, um olho negro, um terçolho, um olhar indiscreto, esconder-se no final de contas de si mesmo.
Por último, ajudam na falta de educação. Quando apresentam uma pessoa e esta não tira os óculos de sol e mantêm-se sempre a conversar com eles postos sem se ver nesga dos olhos… Merece educadamente um “passe bem” e até à (não) próxima vez.
Caros amigos, este texto não foi escrito com os óculos de sol posto. Bem podia ter sido, para não ver o que, para aqui, escrevi. Foi, isso sim, pensado com eles postos, num dia de praia, deitado e de olhos fechados. Para que serviam os óculos de sol!? Bem!... Talvez para pensar que fosse noite e dormiscar um pouco J
terça-feira, 28 de junho de 2011
Um Alfacinha no S. João
A verdade é que a noite de S. João no Porto, é única. Por mais que se conte, por mais que se veja imagens, só visto, sentido, vivido é que se percebe sua grandeza.
Durante o dia, reina já um ambiente de festa, o manjerico perfuma as principais ruas, os foliões abastecem-se da arma oficial que é o martelo de S. João – grandes, pequenos, gigantes, insufláveis… Os mais tradicionalistas recorrem ao simpático alho-porro.
Há quem faça a Cascata. Consegui ver uma, com pena de não ter conseguido ver mais. Não foi por falta de as procurar… os pés que o digam. O Bairro Herculano é digno de visita. Todo emproado para a festividade. Duvido que haja outro bairro no Porto igual. Ali respira-se o verdadeiro S. João. Adorei conhecer aquele cantinho.
Ao passar das horas, o cheiro a sardinha percorre avenidas, ruas e ruelas. Todos os caminhos desencadeiam no rio. Suas margens enchem-se de povo. Ouvem-se desgarradas, soltam-se balões, tiram-se fotos, dão-se e recebe-se martelada e alho-porro a cheirar. Espera-se pelo fogo-de-artifício, orquestrado por músicas que apelam ao orgulho da cidade.Diz a tradição que nessa noite cai orvalhada, associando-a à fertilidade. Não sei se foi só culpa de S. Pedro que nos brindou com uma noite bastante agradável ou se também foram as meninas que andaram a rezar para que a orvalhada não viesse. E assim não aconteceu.
Após o fogo-de-artifício, é um “ver se te avias”. Anda todo um povo caminhando “desnorteado”, procurando os vários largos onde exista bailarico e mais um pouso para beber e comer. Engraçado, que, e apesar de haver conjuntos musicais, pouca gente vi a dar um pezinho de dança. Mais importante era martelar, conversar, conviver e andar, andar e andar... E havia gente que não deixava escapar uma só cabeça, como fosse um jogo e ganhassem pontos.
Pessoalmente, se bem me lembro, só dei com o martelo, em quem conhecia, e mesmo assim… Estava mais interessado a “beber” culturalmente a festa. Dei por mim, em certa altura, a baixar a cabeça, para uma criança dar-me com o martelo. Não sei quem era... pouco importava. Havia estrangeiros, mais perplexos que eu, o que não deixa de ser natural. “Em meninas, nem com uma flor se bate” e queriam que batesse com um martelo, mesmo sabendo que não magoava. Para “alfacinha” como eu, era uma situação muito estranha mesmo, mas muito divertida, sem dúvida.
Tão ou mais divertido é soltar, fazer levantar um Balão de S. João. É lindo ver todo um céu cheio dos ditos. E se o balão não voar, não levantar voo como se quer, não é preciso chorar, pois transforma-se em fogueira que, também dita a tradição, devemos saltar.
Nos dias seguintes ainda pude assistir à Regata de Barcos Rabelo e a algumas Rusgas nos Aliados. Pena não serem mais divulgadas. Com elas aprende-se mais alguma coisa acerca dos bairros que dão vida e originaram/originam esta cidade, que é o Porto.
E todo o Largo, toda a praça é sítio de festa. Roulottes de comes e bebes, carrinhos de choque, diversos tipos de carrocéis, casa fantasma, banquinhas de tiro ao alvo, vários tipos de diversão que me fizeram lembrar a saudosa Feira Popular de Lisboa. Ah! E farturas… Farturas por todo o lado, todo um mundo de farturas… Pena usarem açúcar em pó, mas é só um pormenor.
Foi o meu primeiro S. João. E tal, não seria possível, sem uma, muito, agradável companhia.
Obrigado Isabel, Maria, Ana, Miguel e Arlindo por este fantástico S. João
Para o ano estamos lá? :-))
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Ribeiro
Ribeiro …
Água cristalina
Puro néctar.
Desces vales, serras
Encostas,
Deslizas, passeias
Na verde essência
Sob azul do céu.
Dás vida
Aos rios, mares, oceanos
E ao Ser que te saboreia.
Dás vida às plantas
Que regas alimentas
Aos animais que em ti
Matam sede.
Ribeiro…
Dás vida a mim
Que acompanho
Correndo tuas margens.
Que bebo
Cada gota
De teu respirar.
Que miro, parando
Beleza de teu caminhar,
Fechando olhos
Escuto teu cantar
Ao passar.
Banho-me em teu corpo
Rejuvenesço alma
Solitária, perdida.
Ribeiro…
Choro vagueando
Respirando fundo
Ao mal que te
Destrói.
Choro por dentro
Gritando, lutando
Contra poluição
Que contamina tuas águas.
Ribeiro…
Quero sorrir,
Pular, cantar.
Quero chorar…
Olhando brilho
De tuas águas
Percorrendo límpidas
Da nascente à Foz.
Quero beber, saborear
Banhar-me
Em tuas águas
Livremente
Sem secares…
Sem morrermos precocemente…
Sem viver
Nem Amar.
Água cristalina
Puro néctar.
Desces vales, serras
Encostas,
Deslizas, passeias
Na verde essência
Sob azul do céu.
Dás vida
Aos rios, mares, oceanos
E ao Ser que te saboreia.
Dás vida às plantas
Que regas alimentas
Aos animais que em ti
Matam sede.
Ribeiro…
Dás vida a mim
Que acompanho
Correndo tuas margens.
Que bebo
Cada gota
De teu respirar.
Que miro, parando
Beleza de teu caminhar,
Fechando olhos
Escuto teu cantar
Ao passar.
Banho-me em teu corpo
Rejuvenesço alma
Solitária, perdida.
Ribeiro…
Choro vagueando
Respirando fundo
Ao mal que te
Destrói.
Choro por dentro
Gritando, lutando
Contra poluição
Que contamina tuas águas.
Ribeiro…
Quero sorrir,
Pular, cantar.
Quero chorar…
Olhando brilho
De tuas águas
Percorrendo límpidas
Da nascente à Foz.
Quero beber, saborear
Banhar-me
Em tuas águas
Livremente
Sem secares…
Sem morrermos precocemente…
Sem viver
Nem Amar.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Vem brincar comigo
Vem brincar comigo…
Saltar eixo
Macaca, corda
Que teima em prender-se no pé.
Vem brincar comigo…
Policia ladrão
Cowboy índio
Corre, foge
Apanha
Prende-me.
Vem brincar comigo…
Desenhar, rabiscar
Casa de sonho
Carro futurista
E um sol com rosto.
Vem brincar comigo…
Mil cores
Lápis de cor,
Cera, carvão
Canetas de feltro
Quadro de giz
Aguarelas.
Vem brincar comigo…
Papel de lustro
Branco, vegetal
Cartolina, seda
Construir
Pintar o Mundo.
Bonecos, bonecas
Peluches, Heróis
Plantas, Bichos
Estranhos Seres
Com que
Sem medo
Preenchemos Mundo.
Jogos, pista
Damas, xadrez
Monopólio, Risco
Charada, adivinha
Brincar, enfrentar
Níveis, atalhos
Dificultar, exigir
Questionar
Mais do Mundo.
Vem brincar comigo…
“ Ao quero ser
Quando crescer…”
Médico, enfermeiro
Bombeiro, cozinheiro
Cientista, gestor
Pai, Mãe
Neto, Avô
Trolha, soldado
Príncipe, ladrão
Tudo sem saber
Que vamos ser
Nossa Vocação.
Vem brincar comigo…
Imagina o que não és.
Dá-me tua mão…
Como se fossemos
Crianças… ainda.
Sem Conhecer,
Desconfiar, Imaginar
Este nosso Mundo…
Adulto!
Não deixes de ser criança
E Vem brincar comigo.
Saltar eixo
Macaca, corda
Que teima em prender-se no pé.
Vem brincar comigo…
Policia ladrão
Cowboy índio
Corre, foge
Apanha
Prende-me.
Vem brincar comigo…
Desenhar, rabiscar
Casa de sonho
Carro futurista
E um sol com rosto.
Vem brincar comigo…
Mil cores
Lápis de cor,
Cera, carvão
Canetas de feltro
Quadro de giz
Aguarelas.
Vem brincar comigo…
Papel de lustro
Branco, vegetal
Cartolina, seda
Construir
Pintar o Mundo.
Bonecos, bonecas
Peluches, Heróis
Plantas, Bichos
Estranhos Seres
Com que
Sem medo
Preenchemos Mundo.
Jogos, pista
Damas, xadrez
Monopólio, Risco
Charada, adivinha
Brincar, enfrentar
Níveis, atalhos
Dificultar, exigir
Questionar
Mais do Mundo.
Vem brincar comigo…
“ Ao quero ser
Quando crescer…”
Médico, enfermeiro
Bombeiro, cozinheiro
Cientista, gestor
Pai, Mãe
Neto, Avô
Trolha, soldado
Príncipe, ladrão
Tudo sem saber
Que vamos ser
Nossa Vocação.
Vem brincar comigo…
Imagina o que não és.
Dá-me tua mão…
Como se fossemos
Crianças… ainda.
Sem Conhecer,
Desconfiar, Imaginar
Este nosso Mundo…
Adulto!
Não deixes de ser criança
E Vem brincar comigo.
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